domingo, 21 de novembro de 2010

Este poema é para você

domingo, novembro 21, 2010 10 Comments
Este poema é para você.
Você que ama sem saber por que,
que, às vezes, chora nos tempos nublados,
que se encanta com o arco-íris depois da chuva.

Este poema é para você.
Que sente que existe luz no fim do túnel,
que ainda tem sonhos infantis
que ri de si mesmo diante do espelho frio.

Este poema é somente para você.
Que se cala e reflete,
que grita e se arrepende,
que sofreu de amor,
que ainda acredita na humanidade,
que inocentemente sabe que melhores dias virão
Este poema é para você*.

* as ordens dos fatores não alteram o produto poético,

por isso se o leitor quiser ler de baixo para cima também pode.

domingo, 14 de novembro de 2010

Convite

domingo, novembro 14, 2010 2 Comments


Há uma extremidade na face a qual me convida

Uma protuberância que me motiva

Não é uma simples necessidade, nem tampouco vontade

É somente o desejo íntimo de pura contemplação

É um conjunto de sabor e tato presumivelmente agraciado de ostentação.


Há uma parte da tua face que me fascina a querer tocar-te

Um fulcro levando-me a querer aproximar-se

Não é apenas uma vontade plena de sentir a chama dos teus lábios junto aos meus

É um impulso ardente do eterno ânimo de perder-me nos calientes beijos seus.


Há uma mescla de sensações não sentida, mas querida

Uma corsa fumegante penetrante em minha alma

Não é somente sentir os teus lábios, é provar o sabor dos teus beijos

É tocar o som harmônico do movimento

É extasiar-se com o acorde de sentimento.


Há uma espera por esse instante

Uma esperança de viver essa melodia impactante

Não é apenas um vago capricho ou impulso irradiante

É voar entre as nuvens e flutuar nas asas de uma canção

É o prazer da troca de dois corpos unidos em um só coração.


Há uma volatilidade

Uma louca e delirante vontade

Não é uma volúpia sorrateira

É uma vontade envolta na magia da sua agudeza

É simplesmente o convite

O chamamento, o íma da atração

É irremediavelmente a porta aberta do fogo em brasa da paixão.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Meu amigo chinês

terça-feira, outubro 05, 2010 3 Comments


Numa noite artificialmente iluminada penso num chinês.
Penso nele com amor e devoção.
Um amor especial, diferente, puro.
Até parece que o chinês existe.
Talvez sim.
Ele é belo e sabe Kung-Fu e tem o dom da caligrafia.
Penso no chinês sorrindo,
contente.
Penso no chinês andando às margens do Yang-Tsé,
contemplando a beleza de suas águas históricas.
Penso no chinês como um amigo que não tive e nunca terei.
Penso nele com facilidade, com intensa paixão.
Penso no chinês de Ang Lee, voando nas copadas-verdes-árvores.
Penso no chinês operário do presente, pobre que luta.
Nesta noite iluminada artificialmente penso num chinês andando às margens do Yang-Tsé,
com um belo Sol pendurado no Céu, feliz e iluminado.
E eu sem luz, sem lua, triste...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Amada

sexta-feira, setembro 24, 2010 10 Comments

Fiz para ti estes versos

Iluminados de nostalgia

Livre de qualquer ostentação

Onda do mar que me leva

Sois o sol que me guia

Ouves minha súplica, amada minha

Faça de mim sua morada

Invade e toma minha vida

Ainda que eu não possa enxergar

domingo, 22 de agosto de 2010

Lendo

domingo, agosto 22, 2010 4 Comments


Sentado no verde prado
em comunhão com o cosmo, com o tempo
vendo o céu azul
e a pequena gramínea
comecei a ler Li-Po
e me veio uma estranha nostalgia
de um tempo distante
que nem sequer vivi,
mas amei.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Calor

segunda-feira, agosto 02, 2010 12 Comments




Calmo e manso está meu coração

Mesmo em meio ao sol escaldante

Calor entrépido

estampido de mudança de temperatura

Sensação de sufocamento ígneo

Odor de suor suado

Ardência queimada na pele

Ferida putrefada na crosta

Calor pavoroso

prenunciando a queda

A perda, a morte...

Anunciando o desconforto,

a agonia, a necessidade do vento,

da água, da brisa,

do banho demorado e refrescante...

Calor extremo e esternecido

Que beira a exaustão do tempo

num espaço espavorido

Lugar restrito ao forno,

à sauna, ao deserto sem oásis

Calmo e manso está meu coração

chagado de calor em meio a tanta brasa

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O retorno de Astréia

segunda-feira, julho 19, 2010 4 Comments


Aquela que triste se foi logo voltará
Subitamente encherá de inaudita alegria esta
Terra de corrupção, de rancores tolos
Reorienterá o coração da humanidade com sua luz
E com simplicidade nos incitará a voar rumo ao
Infinito, onde ouviremos, em meio ao êxtase ozônico palavras doces…
Amor, ternura, paz, justiça, Amor…




Inspiração


terça-feira, 13 de julho de 2010

Narciso

terça-feira, julho 13, 2010 4 Comments



O narciso que vive em mim,

vive a vomitar os meus segredos.

Penso, ele me possui

Sou sua alma irmã

Seu sono mais profundo

Sua carne viva



O narciso que vive em mim,

vive em você também.

Penso, ele me digere

Sou sua ferida podre

Seu escarro gotejante

Sua boca mordida



O narciso que vive em mim,

ah...vive a me enfurecer.

Penso, ele é meu.

Sou sua dona

Seu redemoinho em fúria

Sua emoção sentida



O narciso que vive em mim,

vive só.

Penso, ele é meu eu

Sou sua solidão

Seu sofrimento bravio

Sua mais íntima visão



O narciso que vive em mim,

vive vivendo.

Penso, ele é sem noção

Sou sua dopamina

Seu adágio impróprio

Sua panacéia viril



O narciso que vive em mim,

vive a me sufocar.

Penso, ele é risco

Sou sua devassidão

Seu lado obscuro

Sua necessidade mórbida



O narciso que vive em mim,

já se foi.

Penso, ele não existe

Sou sua ilusão

Seu pensamento vagante

Sua real imaginação

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Poeta

sexta-feira, julho 02, 2010 14 Comments


Poeta não tem sexo, cor, idade

Não tem sexual opção

É casto, mas também puta

É santa, mas também pagão.

Vive de contemplar emoção.

Não é louco, mas luta com moinhos

É uma, mas também um milhão


Vai ao inferno, purgatório, paraíso

Guiado pela beata luz

É anjo torto e de exuberante claridão.

Poeta se faz e desfaz a cada instante


Nas mãos da amada de Ítaca

Esperando o retorno do Amor

Às vezes rima coração com paixão

Mas às vezes não rima

E grita

E grita

Ao amor que nunca teve.

Poeta às vezes é destino

Outras vezes condenação

Mas nunca profissão


É presente, é dádiva

simplicidadade e ostentação

Tantas vezes é anônima

Unicamente heterônimo

E às vezes gloriosa exaltação

É tristeza de mar


Ruído de grilo

É a qibla da oração.

É humana divinização


E o contrário também

É tudo isso e imensidão

E palavra não dita

E poema não feito

Indefinição.