sábado, 31 de outubro de 2009

Que coisa não!

sábado, outubro 31, 2009 26 Comments

Eu tinha uma coisa nojenta. Ela já apareceu há algum tempo. É a segunda fez que sou acometida por essa coisa. Da primeira fez eram duas, uma em cima e outra embaixo. Chegaram de mansinho, sorrateiras, de cor avermelhada, duas bolotas. Doía algumas vezes, e outras não. A superior era maior que a inferir. No início eu as tratava muito mal, nem dava atenção a elas, pensava que iriam sumir, desaparecer com o tempo. Doce ilusão, o tempo foi passando e nada. Vieram para ficar, marcar território. Invadiram uma parte específica do meu corpo, penetrando na minha vaidade e diminuindo a minha altoestima. Bateu a preocupação e a angústia.

A coisa destruiu o meu olhar com outro olhar. Não escolhido nem convocado. Fui ao especialista no assunto e ele receitou medicamento via oral, pomada e compressa morna, três vezes ao dia e nada de surtir efeito. Resultado, bisturi sem pontos e olho recauchutado, pelo menos por um ano. Pois eis quem bate a minha porta novamente? Ela mesma, a coisa, agora, só um superior. Tive que responder as mesmas perguntas tipo: O que é isso no seu olho? Você negou algo a uma grávida? Isso pega? Tinha que explicar várias vezes o problema e a causa. Pensei até em fazer uma gravação. “Não, não é um terçol é um calázio, parece um terçol mas não é. Terçol tende a sumir em alguns dias e o endemoninhado do calázio persiste em grudar na pessoa e não querer ir embora nem com reza forte. Em sua maioria só sai na base da faca, ou melhor, da cirurgia.

A experiência da primeira cirurgia foi tranquila a única coisa chata foi uma sensação ruim do anestésico, de que algo como um calafrio passava no meu corpo até o baixo-ventre. No mais, nenhuma dor!

Saio da sala de cirurgia com um enorme tampão que quase encobre totalmente o meu pequeno e delicado rosto e com a curiosa e terrível sensação de que por baixo dele tinha sangue abafado aos montes escorrendo. Para a minha surpresa, com a retirada do tampão após 24 horas, descobri que não havia sangue nenhum, apenas uma pequena mancha rocha na parte inferir como se eu estivesse me machucado. Tempos depois, descobri que não foi espancamento ou coisa do tipo, mas uma ferramenta utilizada na cirurgia para pegar o calázio e retirar a secreção que fica dentro dele.

Pois bem, essa é a história da primeira cirurgia da minha coisa chamada Calázio, uma coisa chata que insiste em conviver no meu pé (olho) sem ser bem-vinda.



Astréia

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sei

segunda-feira, outubro 12, 2009 18 Comments


As palavras não cessam mais.
A garganta não se cansa.
Os ouvidos também não.
Por quê?
Não sei.
Estou farto de não saber!

Neste dia nublado prefiro o silêncio
dos montes interiores de meu coração.
O não dito diz tanto!

Devo voltar ao inaudível, ao inefável
para poder reencontrar
algo que não sei o que
mas que sei que sou.



Narciso


sábado, 3 de outubro de 2009

Periclitante

sábado, outubro 03, 2009 19 Comments


Tenho problemas...

Problemas comuns e incomuns

Problemas iguais aos seus

Problemas só meus.


Tenho motivos para os meus problemas

Dou motivos aos meus problemas

Motivos banais

Motivos fatais

Motivos necessários e desnecessários

Motivos...

Tenho um quê de morbidez desafiante

Uma sensatez estonteante

Uma languidez pulverizante.


Tenho sua imagem em meus pensamentos

Você se faz presente em minha agonia

Você é minha agonia

Agonia minha...

Minha

Agonia

Minha doce

agonia!

Agonia!

M

I

N

H

A




Astréia