domingo, 11 de setembro de 2011

Lua

domingo, setembro 11, 2011 3 Comments


A lua, tão propícia aos enamorados, mas não a mim!

Lua da minha origem, divindade nua.

Sois o que sou, fina flor de candura.

Sede o luar da aurora boreal.

Sede o vaga-lume do escudeiro fatal.

Sede a expressão do amor.


A lua dos meus prazeres é abrasadora.

Não machuca ninguém, nem faz sentir dor.

Ela ouve o dizível e fala o não dito.

Nota o gemido e também a risada.

Escuta a palavra não anunciada.


A lua, pequeno condor a cintilar no céu, porém não no meu.

Lua da minha broa, embarcação sua.

És o que fui, a origem pura da luz.

Sede una em muitas.

Sede brilho e escuridão.

Sede a auréola angelical do anoitecer.

Sede o aperto no peito de um sofredor.


Não apenas resplandece.

Ilumina o mar bravio.

Deixa rastos na areia.

Forma réstias na lareira apagada.


A lua, acalanto do ser, esquecimento do meu.

Lua da minha vida, olha para mim!

Tu és o meu amparo quando me falta ardor.

Sede um guia a me guiar por entre as nuvens.

Sede aquilo que comporta o tudo.

Sede tudo em meio ao nada.

Sede sempre fervor.


Enche-me de sensações insaciáveis.

Lua de encantos aleatórios e de sensações sutis.

Aplaca o meu desejo vil, minha ira virulenta.

Liberta-me desse covil que me abomina.


Causa de minha cumplicidade.

Pena maior a cumprir.

Sofrimento solitário na dor.

Instantes de angústia na espera.


Caução de causas perdidas.

Cenário de cenas tórridas.

Observadora dos casais.

Amante irresistivelmente amada.