terça-feira, 13 de julho de 2010

Narciso




O narciso que vive em mim,

vive a vomitar os meus segredos.

Penso, ele me possui

Sou sua alma irmã

Seu sono mais profundo

Sua carne viva



O narciso que vive em mim,

vive em você também.

Penso, ele me digere

Sou sua ferida podre

Seu escarro gotejante

Sua boca mordida



O narciso que vive em mim,

ah...vive a me enfurecer.

Penso, ele é meu.

Sou sua dona

Seu redemoinho em fúria

Sua emoção sentida



O narciso que vive em mim,

vive só.

Penso, ele é meu eu

Sou sua solidão

Seu sofrimento bravio

Sua mais íntima visão



O narciso que vive em mim,

vive vivendo.

Penso, ele é sem noção

Sou sua dopamina

Seu adágio impróprio

Sua panacéia viril



O narciso que vive em mim,

vive a me sufocar.

Penso, ele é risco

Sou sua devassidão

Seu lado obscuro

Sua necessidade mórbida



O narciso que vive em mim,

já se foi.

Penso, ele não existe

Sou sua ilusão

Seu pensamento vagante

Sua real imaginação

4 comentários:

Narciso disse...

Belo poema.
Profundo e intrigante.
Acho que cada um leva dentro de si este lado narcisista que aterroriza e encanta simultaneamente...

Luiz Brisa disse...

ah gostei
bem profundo p/ refleti
muito bom

Sophia disse...

pois é. nós poetas, sim me considero uma poetisa, somos assim. belo poema (:

SPZ disse...

Bem legal os poemas, gostei do seu blog, parabéns.. costumo escrever músicas...
vc faz parceria?
http://s-pz.blogspot.com/