domingo, 11 de novembro de 2012

Ausência




Falta-me inspiração quando me falta chão.
Mas na falta de um ímpeto inspirador,
 penso em você, a angústia nauseante e moribunda da dor.

A dor não sentida, mas viva,
A dor que me tom'alma,
A dor ferida e chagada de ânsia.

Falta-me um alicerce,
Uma escora,
Um ancoradouro.

Falta-me uma e mais uma inspiração.
Essa inspiração só minha e, enquanto minha, dona de mim.
E não sendo sua, indiferente a você.

Ah!...as palavras embriagam-me ao vento,
Sinto-me torpe, nebulosa por dentro.

As palavras são inspirações inatas,
retiradas do pensamento vagante, sorrateiro.
Elas entorpecem minha sobriedade, 
enlouquem minha sanidade.

Ah!...palavras, retiradas das sensações sentidas, 
vividas na solidez da alma,
 negligenciada na estupidez da raça.

Aquela inspiração anterior da qual sentia falta,
Sacio agora com minhas
Palavras!

Um comentário:

Vinícius disse...

Você fala de dois elementos-chave na vivência do artista: a busca por inspiração e o trato com as palavras que, invariavelmente, resulta em metalinguagem.

Penso que exista mesmo essa complementariedade entre tais elementos e, possivelmente, uma é a razão de existir do outro: escrevo para me inspirar ou me inspiro para escrever.

Belo poema. Gostei também do layout! =)