quinta-feira, 4 de outubro de 2012

E eu esqueço



Palavras ocas.
A chuva cai.
A carta não
chegou ao endereço.
Alguma coisa apodrece
quando se esquece.
E eu esqueço.
A vida segue seu curso.
O rio também.
O atleta não
acertou o arremesso.
Alguma coisa apodrece
quando se esquece.
E eu esqueço.
Diamante adormecido
no coração do homem.
Cada um tem o seu preço.
Alguma coisa apodrece
quando se esquece.
E eu esqueço.
A chuva se intensifica.
A luz não veio.
Na capela, a beata reza o terço.
Alguma coisa apodrece
quando se esquece.
E eu esqueço.
Tudo é dor.
Tudo é amor.
Indiferente a tudo,
o bebê dorme no berço.
Alguma coisa apodrece
quando se esquece.
E eu esqueço.
O poema será esquecido.
O poeta também.
Mas o fim pode ser
O recomeço.
Alguma coisa apodrece
quando se esquece
E eu esqueço.

2 comentários:

Angelo Augusto Paula disse...

Adorei o ritmo! Desses que a gente tem que ler em voz alta! Lindo!

Claudio Chamun disse...

Muito legal.
Principalmente se a gente lê em voz alta e rápido.

www.cchamun.blogspot.com.br
Histórias, estórias e outras polêmicas