quarta-feira, 26 de março de 2014

Fundo



No fundo, bem lá no fundo, deve haver esperança,
Sorrisos que suplantam as lágrimas que jorram na superfície,
O "foram felizes para sempre" que a tristeza vigente desdiz.
No fundo, bem lá no fundo, deve haver um poço
que saciará a nossa sede de justiça - não de vingança -
de amor, de saudade, do aconchego do lar.
No fundo, bem lá no fundo, veremos que somos irmãos.
E não haverá mais discriminação, nem guerras ocas,
nem fronteiras imaginárias.
Os mapas desaparecerão.
No fundo, bem lá no fundo, deve brilhar uma luz,
que afugentará o desbotado medo.
E veremos as coisas com mais nitidez,
e assim também seremos vistos.
No fundo, bem lá no fundo, o fundo nem é tão fundo.
Nem tão longe.
É só abrir bem olhos,
deixar de amar as correntes que nos impedem de
levantar, erguer a cabeça
e alçar O voo.
E o fundo jorrará na superfície,
transfigurando nosso mundo,
nossas vidas,
nossos sonhos.
E o banquete da alegria, como diz a profecia,
estará sempre começando.
Eu vejo, prevejo, anseio:
Sorrisos entre brindes, gargalhadas de meninos,
e uma luz tão nostálgica e familiar a nos envolver.
Amém.


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