quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sobre ser e não ser


Há uma fissura no ser.
Uma leve fissura que possibilita
a suposta existência da não existência,
de um não sei que inefável,
mas que grita pavoroso no mundo
das essências incriadas,
como uma aberração manipulada
por um gênio malévolo
que tinha como intenção exatamente isto:
contrapor ao que foi posto o não posto.
E ele ri negativo do extremo positivo que tudo aparentava ser
e não era.

Ser ou não ser nunca foi a questão.
Ser ou não ser não é oposição.
É possibilidade!
É chamado antigo!
O ambíguo tornou-se possível.
O talvez irrompeu nas estruturas numênicas
e assim o mundo da transcendência
tornou-se mais provocador, por isso interessante,
pois a mão que apalpa o sim
também acaricia o não.



(Narciso)

5 comentários:

八神 ヴァル disse...

Adoro essa coisa de transcender estatutos.
Isso me lembra Kaya, quando transcende o gênero... ser homem, mulher... os dois... ou algo diferente?

Vinícius de R. Rodovalho disse...

Legal essa nova postura, de fazer da possibilidade e da impossibilidade juntas uma nova possibilidade. A transcendência não é apenas necessária, nem apenas uma virtude, mas uma dádiva. A dádiva de enxergar além.

Muito bom! Segundo texto que encontro pela Blogosfera hoje e que me lembra Fernando Pessoa! Pelo ajuste das palavras, pelos sentidos tão bem completados, enfim. Sinal de que o nosso celeiro cultural está a mil! :)

ana disse...

Linda poesia, exprime uma valor trancensdental, e nos faz refletir sobre as multiplas possibilidades da existencia humana. fiquei perplexa; perplexidade é o que sentimos quando nos deparamos com o que não podemos entender nem controlar.

Avassaladoras Rio disse...

Querida amiga avassaladora...
Muito bom seu "poema"... de fato, não é questão mas possibilidades... se voce é deixou de não ser.. uma escolha exclui a outra mas não a elimina do repertorio de opções.

Veríssimo disse...

Muito original. Bem interessante.