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Você em mim





Acabo de pensar em nada,
      E o tudo me veio a reboque,     
Estou só no mundo, parada,
Sou vento perdido do norte.

A roda da vida engendrada,
   Caminha sem rumo no mundo,   
Procurei sair na chegada,
Cai em um buraco profundo.

 Acabo de pensar em nós dois,
A parte do todo separada,  
Sua face coberta de brio,
A fome ainda não saciada.

Descubro você em mim,
Duas odes no alarido alado,
Percebo o começo do fim,
Dois amores eternizados...

Encontro


Esse calor ígneo!
De surpresa reluzente,
Abraço amigo.



Presente de Deus





Nesse dia especial os anjos Juraram fidelidade
Teve festa nO céu para celebrar o seu nascimento
Todos se rejubilaram Nesta hora
As estrelas e os plAnetas brilharam mais reluzentes
As órbiTas se olharam mais freneticamente
Gestos e Honrarias não faltaram
Para celebrar o Amor sempiterno
E homenagear o preseNte de Deus.


Eu sei?





Sei onde você está,
Ontem mesmo te avistei ao longe e quis me aproximar,
Mas não tive coragem de me revelar,

Eu sei onde você está,
No meu pensamento a ti procurar,
Nas mãos de um menino perdido no mar,

Sei por onde você passou,
Te vi anteontem em alto mar,
presente em meus sonhos a me abençoar.

Eu sei onde você pousou
Por lugares bonitos a se encantar
Lembranças eternas pra te recordar.

Sei onde mora seu afeto,
No cume recôndito do amor,
Na brisa leve do meu Senhor,
Na mais bela expressão de dor.

Eu sei onde plaina o teu coração
Em lugares perdidos no espaço
Ou na mais perfeita equação


Eu penso saber que sei!

Eu amei



Ei vi o amor.
Aquele que os poetas professam sem pudor,
e os amantes vivenciam sem medo.

Eu vi o amor.
Em cada palavra escrita,
em cada imagem escolhida.

Eu vi o amor.
No toque suave do beijo,
na pureza dos sentimentos.

Eu vi o amor.
Nos pequenos detalhes,
nos gestos, na observação sentida.

Eu vi o amor.
Na simplicidade dos atos,
na timidez refletida.

Eu vi o amor.
E de tanto vê-lo,
Eu amei!

,

Saudades






Sinto saudades daquele tempo em que você aparecia
Eu corria, sorria, sofria... como quem diz...fica!

Sinto saudades do encontro casual de nossas melancolias

Do seu cheiro originário
Do meu olfato aguçado

Sinto saudades do brilho dos seus olhos a iluminar os meus dias

Do seu sorriso esbranquiçado
Do meu entusiasmo declarado

Sinto saudades das nossas conversas

Do seu coração resignado
Do meu olhar apaixonado

Sinto saudades das nossas juras de amor

Do seu silêncio contido
Do meu rubor adormecido

Sinto saudades das nossas trocas de correspondências

Do seu papel amarelado
Do meu desejo desenfreado

Sinto saudades do ontem, do depois, e do jamais.

Da sua face rente a minha
Do meu colo junto ao seu

Sinto saudades das nossas mãos entrelaçadas

Da sua textura de pele
Da minha alegria breve

Sinto saudades do seu calor humano

Da profundeza de sua alma
Do encontro de duas áureas

Sinto saudades de nós dois

Do seu aconchego
Do meu cobertor

Fica!

Amo-te



Tanto tempo longe de ti
Quero ao menos te encontrar
A distância não vai permitir
Meu amor de te contemplar

E-mails já não adiantam mais
Quero ouvir a sua ode 
Vou enviar um whatsApp dizendo
Que estou quase sucumbindo
 Dessa falta de você 

Amo-te, eu te amo, eu sempre te amarei!

Eu não sei por quantos anos eu
Tenho ainda que aguardar
Quantas vezes eu até lamentei
Pois não pude te tocar

Para mim não vale a pena
Tanta coisa sem ti
E então me desanimo
Por favor meu bem eu preciso
Sem demora te abraçar

Amo-te, eu te amo, eu sempre te amarei!

Mas o dia que eu puder te olhar
Eu quero dizer o quanto padeci
Por toda essa existência
Que eu quis te encontrar

Amo-te, eu te amo, eu sempre te amarei!

E-mails já não adiantam mais
Quero ouvir a sua ode 
Vou enviar um whatsApp dizendo
Que estou quase sucumbindo
 Dessa falta de você

Amo-te, eu te amo, eu sempre te amarei!

Mas o dia que eu puder te olhar
Eu quero dizer o quanto padeci
Por toda essa existência
Que eu quis te encontrar


Amo-te, eu te amo, eu sempre te amarei!
Amo-te, eu te amo, eu sempre te amarei!

É tarde?






Tarde é não dizer que te amo,
não sentir o teu cheiro característico da espécie

Tarde é amanhecer sem tua presença,
e mesmo assim achar tudo tranquilo

Tarde é sumir de vez da tua vida,
e não me despedir com um beijo

Tarde é sufocar o desejo de te embalar em meus braços,
e fazer delongas carícias em tua face

Tarde é poder viver a vida contigo,
e não desfrutar do teu amor

Tarde é perambular pela noite sem a tua presença,
e conviver deveras só

Tarde é não amar o amado
e não tê-lo em meus braços


Tarde é...

Você em mim





Acabo de pensar em nada
E o tudo me veio a reboque    
Estou só no mundo, parada
Sou vento perdido do norte

A roda da vida engendrada
Caminha sem rumo no mundo  
Procurei sair na chegada
Cai em um buraco profundo

 Acabo de pensar em nos dois
A parte do todo separada 
Sua face coberta de brio
Na fome ainda não saciada

Descubro você em mim
Duas odes no alarido alado
Percebo o começo do fim
Dois amores eternizados

Olhar epifânico





Meu Deus,
que eu não perca
o olhar íntimo
das coisas triviais

Que eu saiba calar
quando se fizer necessário
emudecer o grito

Que minha pele
suporte as marcas
visíveis do tempo,
presa ao som do vento

Que eu possa
olhar o horizonte
e descobrir a Ti,
lá longe,
onde me encontro só,
onde um dia serei pó

Que o peso da minha dor
suporte carregar
o meu corpo convalescido
em misericórdia epifânica

Que eu saiba viver
e respirar no outro
um pouco de Você!


O poema que eu não sei


O poema que eu não sei
Nasce sem saber
Rima na esquina
Chama e desatina
Vem do apagão a me lumiar
Some no clarão para eu chamar

O poema que eu não sei
Beira a exaustão
Chega de mansinho
Sem saber que é ninho
Ousar não falar
Diz sem perceber
Fala sem querer

O poema que eu não sei
Flui igual melaço
Surge de carinhos
Feito de pedaços
Canta o amor
em um só compasso

O poema que eu não sei
Cheira a você.


No vento há brisa,
Meus pés molhados na grama,
Perfume fatal.

Busca


Descobri ontem que te amei profundamente,
e isso me tocou.
Descobri um sinal de vida pulsante, 
em meio ao delírio de estar viva.
Resigno-me de tanto te amar,
e isso me apetece.
Até mesmo me enobrece.
Sou rainha em busca de um rei.
Sou devassa querendo um gozo momento de prazer.
Sou volúpia amarrotada de êxtase.
Sou mulher em desejo penetrante.
Anjo demoníaco,
Ode melancólica,
Sou tão eu...
Tão meus sentimentos em busca dos seus.

Morrer de amor



Adoro quando comentas sobre o brilho daquela luz, que por alguns instantes nos torna ainda mais próximos.

Mais que isso, sinto um calafrio invadindo o meu âmago. Ele sobe ao meu coração na mesma rapidez e medida que desce outra vez ao âmago. Se não me recobro a razão, creio que sucumbiria.

Tenho a incrível sensação de está sendo invadida por milhares de borboletas frenéticas, extasiadas, que percorrem a minha corrente sanguínea, prestes a eclodirem pela boca em voos guiados por um sentimento nobre e belo. É uma impressão assustadoramente prazerosa e de uma ambiguidade estarrecedora.

Sinto-me leve e ao mesmo tempo sinto o peso do mundo. É uma leveza que pesa. Impossível  flutuar, porém de fluidez plausível. Quase desfaleço, não sei o que fazer. Emudecida, penso em gritar eufórica, mas também penso em gritar por auxílio. Procuro voltar a razão, respiro profundamente e fico com a leve e pesada sensação de ter quase morrido de amor.

Então vivencio a célebre frase de Mário Quintana: “tão bom morrer de amor e continuar vivendo”.

Escudeira







Dormi ontem pensando em você,
E querendo descansar no teu amor.
Hoje me proponho a ser o teu alento na dor.
Pretendo proteger-te do excesso de crueldades e injustiças.
 Quero partilhar a minha vida subnutrida contigo,
E juntos regurgitarmos doçuras brandas de prazer.
Eu quero unir meu ventrículo esquerdo a tua válvula cardíaca,
E incólume submergir nos teus impulsos.
Quando estiveres convalescendo,
Eu serei a tua força motriz e te cobrirei com meu braço esquálido.
Buscarei vigor onde não existe para te resguardar de todo mal,
Eu cuidarei de você,
Eu te protegerei,
Eu te amarei por todo sempre,
Sempre!

Indecifrável




Não me busque em mim,
Pois estou além de ser eu.
Possuo o mundo.
Não tenho definição.
O que me define é o indefinível acaso da inconclusão;
O indecifrável enigma da imaginação.
Sou puro amor.
Enamorada de mim.
Sou o mundo sobre-humano.
Divino e virulento,
Escasso e eloquente,
Murcho e esplendoroso.
Sou...

Ausência




Falta-me inspiração quando me falta chão.
Mas na falta de um ímpeto inspirador,
 penso em você, a angústia nauseante e moribunda da dor.

A dor não sentida, mas viva,
A dor que me tom'alma,
A dor ferida e chagada de ânsia.

Falta-me um alicerce,
Uma escora,
Um ancoradouro.

Falta-me uma e mais uma inspiração.
Essa inspiração só minha e, enquanto minha, dona de mim.
E não sendo sua, indiferente a você.

Ah!...as palavras embriagam-me ao vento,
Sinto-me torpe, nebulosa por dentro.

As palavras são inspirações inatas,
retiradas do pensamento vagante, sorrateiro.
Elas entorpecem minha sobriedade, 
enlouquem minha sanidade.

Ah!...palavras, retiradas das sensações sentidas, 
vividas na solidez da alma,
 negligenciada na estupidez da raça.

Aquela inspiração anterior da qual sentia falta,
Sacio agora com minhas
Palavras!

Senhor...




Que não cesse em mim o olhar íntimo das coisas triviais.

Que eu saiba calar quando se fizer necessário socar o grito.

Que minha pele suporte as marcas do calor do tempo, presa ao som do vento.

Que eu possa olhar o horizonte e descobrir a Ti,

Lá longe, onde me encontro só,

Onde um dia serei pó.

Que o peso da minha dor suporte carregar meu corpo,

Convalescido em misericórdia epifânica.

Que eu saiba sentir e respirar no outro um pouco de Ti...

Senhor...

Eu descobri



Descobri que é difícil viver sem você,
Que a distância se torna presença em meu coração.

Descobri que sinto a sua falta
Cá dentro do meu peito,
Que cada palavra escrita se torna melhor sentida.

Descobri que é difícil viver da sua presente falta,
Do seu aparente desaparecer
 Aparecido do nada,
Da sua complacência em ouvir,
Do seu jeito ao sorrir.

Descobri que não basta conhecer o outro 
para saber que ele existe,
Que só existir não basta.
Descobri que é necessário
SENTIR



Imagens do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” dirigido por Jean Pierre Jeunet

Faces


Tenho mil faces contidas em mim...

Faces obscenas,

iluminadas,

descabidas,

deslocadas,

Tenho mil faces contidas em mim...

Faces desavergonhadas,

debruçadas,

descoladas,

desconectadas,

Tenho mil faces contidas em mim...

Faces mil

Faces de facetas mil

Faces de arroio no cio

Faces...

Apenas mil

Oh, como desvendar o não desvendado?

Como saber o não sabido?

Como escutar o não audível?

Como revelar o não revelável?

São faces e mais faces que nada revelam em si,

Apenas revelam as faces das quais procuro em ti.