Amada


Fiz para ti estes versos

Iluminados de nostalgia

Livre de qualquer ostentação

Onda do mar que me leva

Sois o sol que me guia

Ouves minha súplica, amada minha

Faça de mim sua morada

Invade e toma minha vida

Ainda que eu não possa enxergar

Lendo



Sentado no verde prado
em comunhão com o cosmo, com o tempo
vendo o céu azul
e a pequena gramínea
comecei a ler Li-Po
e me veio uma estranha nostalgia
de um tempo distante
que nem sequer vivi,
mas amei.

Calor





Calmo e manso está meu coração

Mesmo em meio ao sol escaldante

Calor entrépido

estampido de mudança de temperatura

Sensação de sufocamento ígneo

Odor de suor suado

Ardência queimada na pele

Ferida putrefada na crosta

Calor pavoroso

prenunciando a queda

A perda, a morte...

Anunciando o desconforto,

a agonia, a necessidade do vento,

da água, da brisa,

do banho demorado e refrescante...

Calor extremo e esternecido

Que beira a exaustão do tempo

num espaço espavorido

Lugar restrito ao forno,

à sauna, ao deserto sem oásis

Calmo e manso está meu coração

chagado de calor em meio a tanta brasa

O retorno de Astréia



Aquela que triste se foi logo voltará
Subitamente encherá de inaudita alegria esta
Terra de corrupção, de rancores tolos
Reorienterá o coração da humanidade com sua luz
E com simplicidade nos incitará a voar rumo ao
Infinito, onde ouviremos, em meio ao êxtase ozônico palavras doces…
Amor, ternura, paz, justiça, Amor…




Inspiração