
Retornarei à terra do nascimento.


Não sou poetisa
Atrevo-me a poetizar
Sou audaciosa, atrevida
Sou uma flor a desabrochar
Meu maior prazer é brincar do que não sou
Escrever é meu ponto de fuga
Minha lucidez alucinada
Sou uma história inacabada
Risco no papel gotas de acaso
vivo neste céu anacromático
Sou uma farsa em ode pueril
de imaginação fértil e viril
Falo sobre o tudo e sobre o nada
Do lado obscuro das palavras
Da imensidão do tempo
Do poder da rima
Da trivialidade da vida
Quero suspirar aliviada
quando o fim da estrofe sucumbir em versos
os meus desejos mais profundos
E falar em grito ao mundo
Tudo que meu coração cogita a permanecer imune.

O poema que morre em mim
Deixa-me triste e cabisbaixo
Mais dentro que por fora
Olho tudo e vejo falta
A obviedade das coisas me fadiga
O grito contido me assola
E quando a dor é grande demais
Começo liricamente a divagar
a elaborar teorias mirabolantes
Que o cientista mais rígido pode repudiar
- O que me importa
se o devaneio tornou-se meu refúgio?-
Penso na décima sétima dimensão
No paraíso além do abismo
Penso que lá existe eu mesmo
Apenas mais translúcido e poetizado
Que estou a semear os poemas que matei
E quando tudo vira flor
Presenteio-me com o mais belo girassol
E sorrio amarelo em meio às plêiades e nebulosas
Que enfeitam meu jardim.
A cabeça voa longe demais
Mas meu peito sangra.
O poema que morre em mim
Faz-me como um louco divagar
E ao mesmo tempo me poetiza e prepara
Para o encontro com uma amiga
Que a vida me impediu de admirar.
O poema que morre em mim
É silencioso prelúdio de minha decomposição/ressurreição.
Pensei em você como uma última esperança
Como um fim de um começo
Eu pensei em você até quando não pensava em pensar
Pensei
Ontem,
Hoje,
Agora,
Minutos atrás,
Segundos,
Instantes,
Pensei...
E ao pensar, me perdi
pensando haver me encontrado.
